Cidade solitária

Ao fim do dia
A cidade se movimenta
                        lenta

Há poucas expressões nos rostos
A cidade que lota calçadas
E enche os pontos de ônibus
Não gosta de se expressar

Entro em meu ônibus quase lotado
Há um último lugar.
Eu o perco.
O ônibus para em mais dois pontos
Agora está lotado.

Sigo, lutando comigo
Para, em pé, não incomodar
Esbarrando o mínimo possível
Nos demais passageiros,
Mas me pergunto:
— Por quê?
— Estamos todos sozinhos no ônibus!


Poema publicado no livro “Anjo Único“.